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7 min de leitura Equipe Wekark

Reforma tributária 2027: o que o split payment faz com o seu caixa

Você não vai pagar mais imposto, mas vai receber menos em cada venda. Como o split payment separa IBS e CBS no ato do pagamento, e o que dá para fazer em 2026

Pastas de arquivo vistas de perto, com etiquetas de impostos, recibos e financiamento

A reforma tributária vira assunto de contador na maior parte do tempo, e por isso quase todo seller descobre o impacto tarde. Existe uma mudança marcada para janeiro de 2027 que altera o dia a dia de quem vende em marketplace, e ela tem pouco a ver com alíquota.

Este texto trata do que muda na operação: o momento em que o imposto sai da sua mão, quem passa a responder por ele e o que isso faz com o seu caixa.

O que entra em vigor em janeiro de 2027

Três coisas mudam de uma vez:

  • A CBS substitui o PIS e a Cofins, que são extintos. A Receita projeta alíquota em torno de 8,7%, ainda sujeita a definição
  • O IPI vai a zero, com exceção do que afeta a Zona Franca de Manaus
  • O Imposto Seletivo começa a valer, incidindo sobre produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente

O IBS, que vai substituir ICMS e ISS, fica de fora dessa data. Ele sobe gradualmente entre 2029 e 2032, e o sistema só fica completo em 2033.

2026 é ano de teste. A CBS roda a 0,9% e o IBS a 0,1%, valores compensáveis, justamente para as empresas e os sistemas se ajustarem antes de a conta valer.

O split payment, que é a mudança que chega até você

Junto com a CBS entra um mecanismo novo de arrecadação, e ele é o motivo deste post.

Hoje o caminho do dinheiro é este: o cliente paga, o marketplace desconta a comissão, repassa o líquido para você, e você apura e recolhe o imposto no mês seguinte. Entre receber e recolher existe um intervalo, e durante esse intervalo o dinheiro do imposto está na sua conta.

Com o split payment, o valor do tributo é separado no momento da liquidação financeira da venda e segue direto para o fisco. O repasse chega até você já sem essa parte.

O que isso faz com o seu caixa

Desenhado, fica assim:

Duas linhas do tempo comparadas. Na de hoje, uma faixa destacada mostra o período em que o dinheiro do imposto fica com o vendedor. Na de 2027, essa faixa não existe

Aquela faixa destacada é capital de giro. Ela não aparece em nenhum relatório com esse nome, e é ela que financia a compra de estoque em boa parte das operações pequenas e médias.

Quem trabalha com repasse quinzenal e recolhimento no mês seguinte tem hoje algumas semanas de folga. A partir de 2027 essa folga deixa de existir, e o primeiro trimestre é onde o aperto aparece, porque é quando o hábito antigo encontra a regra nova.

A conta a fazer agora é simples de enunciar e desconfortável de responder: tirando o dinheiro do imposto do seu fluxo, quanto de capital falta para manter o mesmo nível de compra de estoque?

As três formas de fazer a separação

A lei prevê três modalidades, e elas se diferenciam pelo grau de integração entre o meio de pagamento e o fisco.

Inteligente. No momento da transação o sistema consulta os créditos disponíveis junto à Receita e ao Comitê Gestor do IBS. Havendo crédito, ele é compensado na hora e o valor separado diminui.

Inteligente off-line. Modelo de transição. O tributo é segregado pelo valor cheio na transação, e a apuração com eventual restituição acontece em até três dias úteis.

Simplificado. Usa uma alíquota média ponderada e ajusta no fechamento do período. É a modalidade pensada para varejo e venda a consumidor final, que cobre o grosso do que se vende em marketplace.

A diferença entre elas é dinheiro parado. Na modalidade inteligente o crédito entra na conta imediatamente. Nas outras duas, ele volta depois.

A transição é gradual, e isso muda o seu planejamento

Aqui é preciso corrigir o que muito texto sobre o assunto anda dizendo. O split payment não é uma chave que liga em 1º de janeiro de 2027 para todo mundo.

O começo está previsto para 2027, com adesão inicialmente facultativa nas operações entre empresas, e a obrigatoriedade avança por atos conjuntos da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS. A transição inteira se estende até 2033.

O efeito prático disso é que você provavelmente não vai acordar num dia com tudo diferente. Vai acompanhar um cronograma que sai por ato administrativo, e precisa de alguém olhando esses atos, porque a data que vale para o seu caso sai neles e não na lei.

O marketplace passa a responder pelo seu imposto

Essa parte é a que vai mudar a sua relação com a plataforma.

Duas cadeias comparadas. Na de hoje o imposto vai do vendedor para o fisco. Na de 2027 o marketplace aparece destacado, com uma ligação própria até o fisco

A plataforma assume responsabilidade no recolhimento. Falhando a retenção ou o repasse do IBS e da CBS, o fisco pode cobrar do marketplace.

Ninguém aceita esse risco sem se proteger. O desdobramento previsível é que Amazon, Mercado Livre e Shopee apertem o cadastro de quem vende: mais documentação exigida, verificação de regularidade fiscal com mais frequência e bloqueio mais rápido de conta com pendência.

Se a sua situação fiscal tem alguma ponta solta, resolver isso em 2026 sai mais barato do que descobrir com a conta suspensa em 2027.

O crédito amplo muda quem compensa ter como fornecedor

CBS e IBS são não cumulativos com crédito amplo. Quase tudo que você compra para operar gera crédito a abater do que você deve.

Isso reorganiza a escolha de fornecedor. Comprar de quem gera crédito cheio passa a valer mais do que comprar um pouco mais barato de quem não gera. A diferença aparece na apuração, e não na nota, o que torna a comparação menos óbvia do que parece.

Quem vende para outras empresas sente primeiro, porque o cliente vai perguntar quanto de crédito aquela compra gera para ele.

A conciliação ganha uma linha nova

Do lado prático da operação, o extrato do marketplace muda.

Além de comissão, tarifa de logística, ajuste e estorno, passa a existir o valor retido de IBS e CBS. E aí vem a pergunta que ninguém vai responder por você: a plataforma reteve o valor certo? Quem já faz a conta do lucro por produto sente a mudança primeiro, porque o imposto é uma das cinco linhas dela, como está no post sobre o cálculo do lucro na Amazon.

Retenção a menor vira débito seu com o fisco. Retenção a maior é dinheiro seu parado, que volta depois de um processo. Nos dois casos, descobrir depende de conferir linha a linha, cruzando o que foi vendido com o que foi retido.

É o mesmo tipo de trabalho que já existe hoje para comissão e reembolso, com uma diferença relevante: erro em imposto tem prazo, tem multa e tem juros.

O que dá para fazer em 2026

O ano de teste existe para isso. Cinco coisas que dependem só de você:

  1. Revisar o cadastro fiscal dos produtos. NCM e classificação errados hoje viram tributo errado depois, e a nota fiscal nova já pede os campos de IBS e CBS.
  2. Refazer a conta de preço por categoria. A carga muda de forma desigual, e o preço que fecha hoje pode não fechar em 2027.
  3. Projetar o caixa sem o intervalo do imposto. Simule o seu próprio fluxo com a retenção acontecendo na venda, e veja quanto falta.
  4. Regularizar pendência fiscal. Antes de a plataforma apertar, não depois.
  5. Mapear fornecedores por geração de crédito. É informação que hoje ninguém coleta e que passa a entrar na decisão de compra.

Nada disso exige esperar regulamentação. Tudo isso fica pronto antes.

O que vem depois

A reforma resolve um problema de sistema tributário e cria um problema de operação. O imposto passa a ser retido por um terceiro, no meio de um extrato que já é difícil de ler, com prazo curto para contestar erro.

Quem já confere repasse e comissão vai conferir mais uma coluna. Quem nunca conferiu vai começar por uma coluna que tem multa.

Essa parte, a de olhar todo mês se o que foi retido bate com o que foi vendido, é o trabalho que a Wekark carrega junto com quem vende.

Se você quer chegar em 2027 com esse controle já rodando, fale com a gente e a gente mostra como isso fica na sua operação.

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