Conciliação de repasses: como achar o dinheiro que não caiu na conta
O marketplace vendeu, cobrou a comissão e repassou. Nem sempre o valor certo. Veja como comparar pedido a pedido e cobrar a diferença.
Todo seller conhece a cena. O painel do marketplace mostra um número, o extrato bancário mostra outro, e no meio existe uma diferença que ninguém consegue explicar. Na maioria das operações essa diferença não é erro de leitura: é dinheiro que realmente não foi repassado.
Conciliar é comparar, pedido a pedido, o que foi vendido com o que foi efetivamente pago. Parece básico, mas é a rotina que mais devolve caixa quando é feita direito.
O que costuma sumir no caminho
As perdas raramente aparecem como uma linha grande e óbvia. Elas se distribuem em ocorrências pequenas que só ficam visíveis quando você soma o mês inteiro:
- Pedido entregue sem repasse. A venda aconteceu, o prazo passou e o crédito nunca entrou.
- Comissão acima do contratado. A categoria do anúncio mudou e a alíquota mudou junto, sem aviso.
- Frete cobrado duas vezes. Um lançamento na venda e outro no acerto do mês.
- Devolução descontada em duplicidade. O estorno entra no extrato e o produto volta ao estoque, mas o desconto permanece.
- Reembolso ao comprador sem o crédito da comissão. O marketplace devolve o valor do produto e mantém a taxa.
Nenhuma dessas linhas quebra uma operação sozinha. Juntas, em catálogos com centenas de SKUs, viram um percentual relevante do faturamento.
Como montar a comparação
O método não depende de ferramenta sofisticada. Depende de ter as duas pontas na mesma granularidade.
- Exporte os pedidos do período com identificador, data, status, valor bruto e taxas previstas.
- Exporte o extrato financeiro do mesmo período, com cada lançamento vinculado ao pedido.
- Cruze pelo identificador do pedido, nunca pelo total do dia. Totais fecham por coincidência.
- Classifique cada divergência em uma dessas caixas: não repassado, repassado a menor, taxa incorreta, estorno indevido.
- Some por tipo. É a soma por tipo que mostra onde reclamar primeiro.
O ponto três é onde a maioria das planilhas falha. Quando você compara apenas o total transferido com o total faturado, uma cobrança a mais e um crédito a menos se anulam, e a operação parece saudável.
O prazo importa mais que o valor
Cada marketplace tem uma janela para contestar lançamento. Passada a janela, a diferença deixa de ser cobrável, independentemente de quem estava certo.
Por isso a conciliação precisa ser semanal, não trimestral. Uma rotina semanal detecta o problema com folga de prazo, e o volume de cada ciclo é pequeno o suficiente para ser revisado sem travar o financeiro.
Comece pelos 20 pedidos maiores
Se a operação nunca foi conciliada, não tente resolver o histórico inteiro de uma vez. Pegue o último mês fechado, ordene os pedidos por valor e confira os vinte primeiros na mão.
Duas coisas acontecem. Ou você encontra divergências, e aí já tem um caso concreto para abrir com o marketplace, ou não encontra nada, e aí você validou o processo e pode automatizar com confiança.
A Wekark faz esse cruzamento com integração oficial, apontando pedido a pedido o que ficou para trás e quanto ainda dá tempo de cobrar.
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